O primeiro dia da Greve nos Transportes Coletivos em Caraguatatuba resultou em tumulto para os usuários do sistema. Atrasos, filas, carros com pneus furados e esvaziados e ações sindicais marcaram o início da semana na cidade. O Sindicato fala em aproximadamente 50% de adesão. A Prefeitura observa de longe a situação e a Praiamar não se manifestou sobre o assunto.

O primeiro Dia de Greve nos Transportes Coletivos em Caraguatatuba começou às duas horas da madrugada de ontem, com a presença do Sindicato da categoria – STTRUCAD – na porta da garagem da concessionária local, a Praiamar Transportes. Segundo a diretoria do Sindicato a adesão dos grevistas foi de 40 a 50%, oscilando entre 32 e 40 motoristas dos 80 contratados pela Praiamar.

Durante o período da manhã alguns carros tiveram os seus pneus esvaziados e até furados no Jardim Britânia, Olaria, Massaguaçu e Balneário Golfinho. Sindicato e Praiamar se acusam pela autoria do vandalismo, que tem por objetivo desmotivar o movimento. Ainda no período da manhã, longas filas se formaram nos bairros de Massaguaçu e Perequê-Mirim, devido a demora dos carros para chegar nos pontos.

Seguindo normativa do TRT – Tribunal Regional do Trabalho em Campinas, é obrigatório que 60% da frota esteja rodando para o atendimento dos usuários. O Sindicato tentou barrar a saída do excedente da normativa da Justiça do Trabalho e foi necessária a presença da Polícia Militar no local.

Os usuários que se utilizam do transporte coletivo no centro da cidade, mais precisamente na avenida da praia – Avenida Dr. Arthur Costa Filho – não sentiram o efeito da greve, pois o corredor liga o Terminal do Sumaré a Rodoviária e ali o movimento era maior do que em outras localidades da cidade. No final da manhã a sensação era de normalidade no transporte coletivo, porém usuários no Terminal Rodoviário informavam demora acima do normal para embarque.

A Polícia Militar atendeu a uma única ocorrência. Um ligeiro desentendimento no Terminal do Sumaré resultou no encaminhamento das partes para a Delegacia de Polícia no centro. A Polícia não tinha maiores dados ou nomes sobre o assunto. Também no período da manhã o Sindicato fez uma carreata, liderada por um carro de som, onde o Presidente Francisco Israel explicava para a população as razões do movimento.

As alegações do Sindicato para a Greve vem da distorção do salário de motorista – R$ 1.548,00 para com função similar, como a dos entregadores de bebida – R$ 1.808,00 . De acordo com o Sindicato os motoristas de coletivo além de conduzir um carro com pelo menos 40 pessoas, fazem a função de Cobrador e de Assistente dos Portadores de Necessidades Especiais no que tange a manipulação do elevador. Outra reclamação vem da alta rotatividade da função na empresa e das constantes dobras de turno, devido a falta de motoristas.

Para suprir a diferença de 22% entre os salários o Sindicato e as empresas Praiamar e Ecobus, respectivamente de Caraguatatuba e São Sebastião estiveram reunidas no último dia 31 de outubro e lá propuseram o aumento da seguinte forma; 10% na folha de outubro, seis por cento em maio de 2019 e o restante em maio de 2020. As empresas não aceitaram e propuseram apenas 1,69% que significa o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor dos últimos 12 meses. A classe Patronal alega que já efetuou aumento de 14% e que a tarifa nos transportes não é atualizada há 32 meses e que um aumento só viria agregado a majoração da tarifa.

Através de Nota Oficial a Prefeitura de Caraguatatuba, por meio de sua Secretaria Municipal de Comunicação – SECOM informa que acompanhou o movimento desde às quatro da madrugada de ontem, fiscalizando se a normativa do TRT da obrigatoriedade de 60% da frota rodando estava sendo cumprida e que os casos de vandalismo em alguns carros resultaram no acionamento da Polícia Militar para as devidas providências. Ainda sobre a Nota Oficial relata que qualquer anormalidade desencadeará medidas jurídicas para garantir o transporte público aos moradores. Finaliza a SECOM ressaltando que a negociação salarial envolvendo Patrões e Sindicato não está relacionada a majoração da tarifa.

O Sindicato informa que a Praiamar não se pronunciou para uma nova rodada de negociações e sendo assim, o movimento continua até que o TRT agende a Audiência de Conciliação, que deverá ocorrer de dois a cinco dias. A gerência da Praiamar na cidade não foi encontrada para falar sobre o assunto.

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