*Stefan Massinger

 

Sempre, mesmo antes que trabalhar com minha paixão – vinho, pregava, que vinho é muito mais do que uma simples bebida: é uma expressão cultural. É um estilo de vida, é uma bebida, que está para beber e para estudar da mesma forma! De fato, é muito fácil de conectar a sua elaboração com a história e o desenvolvimento de diversos países. Um claro exemplo disso é a relevância que os vinhos chilenos ganharam ao longo dos anos.

A produção da bebida no Chile sofreu diretamente a influência de todos os períodos históricos vividos pelo país e pelo seu povo. Por isso, a relação dos chilenos com a bebida é bastante íntima.

Não vou contar pela terceira vez – apenas em um outro país, que a influência dos padres católicos chegando na América do Sul teve uma grande influência e assim surgiu a necessidade de cultivar as uvas e produzir vinhos. Vamos pular este fato já bastante conhecido.

Para revelar um fato – a indústria vinícola só começou a florescer no Chile após a independência do país (que ocorreu em 1818), a história da relação entre essa nação e a bebida começou muitos anos antes do acontecimento desse evento.

A introdução do vinho para o povo chileno se deu em meados do século XVI, com a chegada dos colonizadores espanhóis na América do Sul. Os conquistadores e os missionários que chegaram ao local iniciaram o processo de catequização dos nativos do Chile (lembra-se dos jesuítas no Brasil?). Por isso, precisavam da bebida para os rituais religiosos. Oops, mencionei de novo um fato que une as nações produtoras da América do Sul – os padres, ahhh !!! os padres risos….

Vamos voltar aos fatos então – outros fatores, que estão interessantes em saber sobre a história do vinho no Chile. De acordo com historiadores, os primeiros vinhedos foram iniciados por Francisco de Aguirre, na região norte do país. Já na capital Santiago, o processo começou por obra de Diego Garcia de Cáceres, responsável pela plantação das primeiras videiras que mais tarde forneceriam matéria-prima para uma das mais apreciadas bebidas de todo o mundo.

Anos mais tarde, mais precisamente na década de 1780, a qualidade dos vinhos já estava consolidada e as exportações dos produtos aumentaram exponencialmente. Com elas, cresceram os investimentos em vinhedos no país, observando que as condições climáticas são ideais para o cultivo dessa fruta.

Embora a produção de vinho fosse principalmente destinada ao consumo interno, parte dela era exportada para países vizinhos. Em 1794, a coroa espanhola, como forma de proteger o comércio de vinho espanhol, emitiu uma ordem real proibindo a exportação de vinhos chilenos para a Nova Espanha e Nova Granada. Desde a conquista e até meados do século XIX, o sistema trazido pelos espanhóis para o cultivo da vinha e a tecnologia na produção do vinho, manteve-se inalterado. O processo de modernização capitalista e de expansão da economia chilena, vinculado à abertura do comércio no norte do Atlântico, trouxe consigo uma transformação radical na vitivinicultura chilena. A partir de 1850, os produtores e empresários de vinho investiram fortemente em maquinário, técnicos, importação de videiras, sistemas de transporte e na construção de adegas subterrâneas.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo embaixador do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, através da sua empresa Marevino. Também administra um curso on-line, tem um podcast e faz lives educativas mensais. Atua também como consultor independente de negócios.

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