Depois dos antigos egípcios não podemos ultrapassar a importância de uma outra civilização antiga. – Os Gregos, na época a força mundial intelectual, política e centro de invenções importantes para a humanidade. Então é lógico, que o próximo capítulo da história do vinho também se passa na Grécia, onde acredita-se que a bebida foi introduzida por mercadores fenícios por volta de 3000 a.C. Acontece que os gregos não tardaram a se apaixonar pelo vinho, e foi graças às conquistas de Alexandre, o Grande, da Macedônia, que esse amor se espalhou por toda a Europa ocidental.

Em Homero, na Odisseia, existem evidências escritas de que os gregos sabiam produzir vinho muito bem. No episódio em que Ulisses tem que enganar o ciclope Polifemo, por exemplo, é a bebida de Dioniso que ele usa para adormecer o gigante. E por falar no deus das festas e da loucura, Dioniso (ou Baco, em Roma) é outra prova da importância do vinho na Grécia Antiga. Quem está mais interessado na história do deus do vinho grego Dioniso, pode ouvir os episódios no meu podcast “A magia do vinho”. https://anchor.fm/amagiadovinho .

Resumindo, Dioniso bagunçou bem com a ajuda do vinho, e os gregos se apaixonaram muito pelo fato, que esta bebida tranquiliza, embriaga, solta a alegria e, no extremo desperta a loucura, que mora em cada ser humano. As histórias antigas estão cheias destes atributos. Por causa de Alexandre o Grande da Macedônia o vinho espalhou se até pela Ásia.

De fato — com ou sem a ajuda dos deuses —, as vinícolas logo tomaram conta da Grécia, e o povo helênico se aperfeiçoou tanto na arte da fabricação do vinho que, até hoje, muitas das variedades de uvas viníferas cultivadas no mundo vieram, originalmente, de mudas trazidas de lá.

Além da paixão pelo efeito e a plantação em grande estilo, os Gregos na época democratizaram o consumo do vinho.  Diferente dos egípcios na Grécia também “o povo” tomou vinho, primeiramente em festas e ocasiões específicos, mas gradativamente foi incluso no dia-a-dia. Com certeza as condições climáticas no mediterrâneo favoreceram este fato. Porque além de conhecimento do processo, a plantação e cultivação das parreiras foi algo fácil e ajudou aumentar rapidamente a popularidade da bebida. Climaticamente parecida, mas por restrições culturais, no Egito só os nobres e sacerdotes em cerimoniais, bebiam vinho.

Eu tenho certeza também, que o vinho do povo grego era algo bem mais simples, que o vinho servido para a elite egípcio. E com certeza também algo mais simples, que o vinho que acompanhou refeições e festas nos palácios de Athenas, Sparta e Thebas na época. Além da popularização da bebida os gregos contribuíram muito na evolução do vinho, porque foram eles, que adicionaram um aspecto muito importante na técnica de produzir a bebida – o envelhecimento do vinho.

Eles costumavam forrar as ânforas com resina de madeira para dar ao vinho um sabor distinto, técnica que logo se transformou nos famosos barris de carvalho, inventados na próxima parada de nossa história – Roma. Até hoje existe um vinho grego, melhor um estilo de vinho grego, que está feito com o antigo método da resina, ele chama se “retsina”, é um vinho seco, na maioria branco ou rosé, com bastante frescor, corpo leve e por causa do contato com resina, com retro gosto e aroma de pino. – Combina espetacularmente bem com cordeiro assado no forno, carnes ou peixes grelhados. Mas sobre culinária vou escrever outra hora.

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