O crescimento de uma cidade está intimamente ligado ao aumento e melhoria de sua infraestrutura e a instalação de novos serviços para seus moradores. Remando contra a maré depois de sete anos do início das atividades da Base de Gás da Petrobrás, a cidade ainda não tem previsão para oferecer aos seus habitantes o sistema de Gás Encanado e para seus motoristas a opção de abastecer os automóveis com GNV – Gás Natural Veicular. Esta demora traz prejuízos aos que aqui vivem e configura como atraso no que tange a modernização da cidade.

Iniciada em 10 de abril de 2011 a UTGCA – Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba – denominada de Monteiro Lobato obteve o seu primeiro recorde quatro anos após o início de suas atividades, em outubro de 2015, quando distribuiu naquela data 17,41 milhões de metros³ diariamente. Em Fevereiro de 2016 a unidade já contava com 920 funcionários e ao completar seus primeiros cinco anos de vida, passavam por seus dutos 20 milhões de metros³ de gás diariamente. Neste quinquênio foram mais de 16 bilhões de metros³, 9.42 milhões de barris de Petróleo C5+ e 4.74 milhões de barris de GLP – Gás Liquefeito de Petróleo. Todas estas substâncias são coletadas a 146 quilômetros de distância em alto mar, no Campo de Mexilhão.

A relação crescimento/melhoria de infraestrutura é algo assim como matemática, efeito causa/consequência, ação e reação e por aí vai. A medida que uma cidade cresce necessita de melhoria na sua infraestrutura ou do surgimento de um novo serviço que até então não existia. Exemplos são vários e não cabem todos em apenas um texto. Mais habitantes pedem mais hospitais e aumento no contingente dos serviços de Segurança Pública. Quanto mais pessoas trafegam pelas ruas, avenidas devem ser alargadas ou novas vias criadas. Mais pessoas significam mais crianças e ainda se incluem mais Escolas, Creches e Centros Comunitários e por aí vai.

Excetuando-se onde o Poder Público não atuou com a devida obrigação e relacionando o fato da cidade sediar uma Base de Gás da Petrobrás, são passados sete anos e até o momento não se fala ou comenta de quando os moradores terão gás encanado servindo suas casas ou postos de combustíveis abastecendo de GNV os automóveis do município. Ao contrário disso, apenas se reclama e não se vê uma esperança para tal.

Para iniciar a entender todo o trâmite e a burocracia estatal sobre o assunto, alguns pontos devem ser esclarecidos. Quem detêm o Monopólio do Gás Natural – GNV- ou o Liquefeito de Petróleo – GLP é a Petrobrás, através de suas ramificações, ou seja, a Petrobrás produz e a BR Distribuidora vende e distribui pelos postos. No caso do gás encanado é a mesma história só que a comercialização é feita no Estado de São Paulo pela Comgás – Companhia de Gás de São Paulo, que tem concessão para explorar o serviço na cidade desde 1985, através da Lei 1.359/85, na gestão do ex-Prefeito Jair Nunes de Souza por um período de 30 anos, ou seja, extinto em 2015 e segundo a Lei, não consta parágrafo sobre renovação automática.

Quais seriam as vantagens sobre o Gás Encanado e o GNV??? Sobre o primeiro pesa a redução no valor do metro cúbico com relação ao custo do botijão de 13 kgs, hoje orçado em torno de R$ 65,00 e pela garantia de ter o produto em sua casa diariamente, sem o imprevisto da falta nos piores momentos e com uma oscilação menor do que o preço do botijão. Economia é também o mote do GNV, que mesmo com o custo da instalação do kit, orçado em torno dos R$ 3.500,00 em autorizadas de São José dos Campos, o custo unitário do metro³ é também menor do que o praticado em relação a gasolina e o etanol, com valor de R$ 2,29/m³.

Num quadro comparativo usando um Gol Flex 1.6 em três versões como comparativo, com capacidade para 7,5 metros³ de GNV, 50 litros de gasolina e 50 litros de etanol, o motorista gastaria R$ 17,17 de GNV, R$ 220,00 de gasolina e R$ 145,00 de etanol e rodaria mais de 235 quilômetros com a gasolina, 275 quilômetros com etanol e mais de 470 quilômetros com o GNV.

Dentre os combustíveis existentes a Gasolina é o mais utilizado por ser um derivado do Petróleo, garantia de abastecimento em todo o mundo. O Etanol é extraído do Milho e da Cana-de-açúcar e tem como vantagem ser mais limpo do que os combustíveis fósseis e pelo fato de sua origem ser de fácil plantio, reduz a dependência de outros países para obtê-lo. O Diesel tem um consumo maior do que a gasolina, possui mais energia e seu preço é mais vantajoso, mesmo com a atual crise no país. O único ponto contra é que seus gases são mais poluentes e os carros que usam o Diesel são mais caros. O GNV é mais barato, aumenta a durabilidade do motor, é mais rentável e menos poluente.

O Blog Contra & Verso consultou suas fontes ligadas ao assunto e descobriu que tanto o Gás Encanado quanto o GNV são instalados em cidades com mais de 250 mil habitantes e que municípios menores que tem este serviço é porque estão localizadas em corredores rodoviários, como por exemplo, a Rodovia Presidente Dutra. Informa a fonte que o custo de instalação de GNV num posto de combustível está orçado em torno de R$ 1.5 milhões, ressaltando que é vantajoso tanto para o posto como para o motorista e usuário.

Mas o que dizem as instituições ligadas ao assunto??? A Comgás afirmou que atua em 88 das 177 cidades com concessão e que segue trabalhando para ampliar a rede de abastecimento na região. No Vale do Paraíba a Comgás atua em São José dos Campos e Taubaté. A Comunicação da Prefeitura de Caraguatatuba respondeu que o Executivo não tem estudos sobre o assunto e que a Base de Gás da Petrobrás trabalha com o produto na sua forma bruta, sendo necessário refinar para o uso veicular, ou seja, montar uma Refinaria para isso na cidade. A Petrobrás informou que cabe a BR Distribuidora produzir, vender e distribuir o gás, seja para uso doméstico como veicular. A BR Distribuidora por sua vez alega que necessita verificar se a Comgás tem planos para a cidade e se há demanda entre os seus postos para a venda.

Sem um projeto, estudo ou previsão sobre o assunto resta aos moradores de Caraguatatuba ser preterido de um serviço limpo, rentável e prático aos seus habitantes e motoristas.

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