A Comunicação e o Litoral Norte, mais precisamente Caraguatatuba perdeu no último domingo o Jornalista, Radialista e Executivo de Veículo de Comunicação Roberto Vieira Espíndola, vítima de Infarto, em sua Residência. Comunicador primoroso, Executivo ferrenho, organizado e meticuloso, sua passagem pela cidade deixará saudades em alguns e para outros nem tanto, mas com certeza faz parte da história desta cidade e região.

Recebi do seu filho Caíto Espíndola a incumbência de escrever sobre o período em que trabalhei com o seu pai, Roberto Espíndola, assim como outros Irmãos de Armas que também tiveram esta honra e prazer. Cumprindo o que foi solicitado, este texto foi publicado na edição Semanal do Jornal Expressão Caiçara, para depois figurar nas páginas do Blog Contra & Verso.

Vou buscar na memória todos os momentos vividos durante o meu trabalho nos veículos de Comunicação comandados por Roberto Espíndola, seja no trato na Redação, nas conversas amenas e nos momentos vividos, foi um período memorável, de muito aprendizado e conhecimento, que me valeram a experiência adquirida que vem sendo usada ao longo destes anos e por muitos mais que ainda estão por vir.

Amado e admirado por uns, odiado e amaldiçoado por outros, Roberto Espíndola unia num único ser o Administrador exigente, compenetrado, organizado e meticuloso, o Comunicador de boa retórica, ótima dialética e incrível rapidez de pensamento e bela locução. O Capital sempre foi a sua meta, a qual perseguia com unhas, dentes e atitudes e a Política, uma maneira de manter-se em voga, dentro do Poder, como forma de hegemonia.

Não me lembro perfeitamente a primeira ocasião que trabalhei com Roberto Espíndola. Sei apenas que foi durante as Eleições Nacionais, talvez de 80 ou 82 e junto com o Radialista Cacá Siqueira, quando fomos designados para cobrir os resultados de São Sebastião e Ilhabela. Nosso transporte foi o velho Jipe que Espíndola tinha e que foi usado naquele momento, como a viatura da rádio.

Em 1987, formado pela Unitau, verde, iniciante e totalmente inexperiente voltei a trabalhar para ele. O mês era Setembro e fui designado para o Rádio Jornal da emissora, que era apresentado no Programa “A Cidade se Comunica”, quando aprendo com a minha colega Leslie Khoury que eu deveria como se fala, palavras estrangeiras pois o locutor famoso da voz grossa não saberia pronunciar.

Imediatamente fui convocado ou melhor, designado, obrigado ou direcionado sei lá, para outros programas da emissora, o “Plantão de Polícia” e o “Jornal de Esportes”, aliás, no Esporte formei com Sinésio Rocco e Salim Burihan a primeira equipe esportiva da emissora, transmitindo aos domingos o Campeonato Municipal de Futebol Amador, quando ganhei o apelido de ‘Repórter da Fé’, pois sempre usava de eloquência e pronunciava o jargão, “Nossa Senhora Salim!!!”.

Neste período havia liberdade total para as pautas e os temas abordados, sem qualquer intromissão, com boletins diários de hora em hora no período vespertino, juntamente com Barbosa Filho, Zé Paraibuna, Beijinho e Sinésio Rocco novamente. Mas como tudo na vida tem limites, cometi alguns deslizes, como elogiar no ar o salgado que consumia diariamente na Padaria Capri, sem que o estabelecimento fosse anunciante. Uma bronca homérica eu levei, de deixar os ouvidos inchados e apitando.

Mas nem tudo foram flores nesta época. Em meados de Junho de 88 uma forte crise financeira pegou de jeito a Rádio Oceânica e 90% de toda a equipe foi demitida. Quando a questão era o dinheiro, Roberto Espíndola tinha uma maneira peculiar de lidar com ele. Infelizmente eu estava na lista dos demitidos e receber o aviso de demissão, especulei sobre o Futebol que fazia aos Domingos com Sinésio Rocco e Salim Burihan e que na minha demissão deveria receber por este extra. A resposta foi simples e direta, ao velho estilo de Roberto Espíndola; “Eu não mandei fazer Futebol, não estou nem aí para o Futebol que fizeram aos Domingos e não gosto de Futebol”. Resultado, não recebi pelo extra e fiquei com raiva de Futebol por uns bons anos.

Infelizmente esta época não foi apenas de aprendizado profissional, mas também de convívio com problemas internos e familiares entre Roberto e os seus, com discussões, ameaças e confrontos que jamais imaginei que aconteceriam. Com Espíndola o convívio era em todos os sentidos e com várias emoções.

Após a demissão a minha relação com Roberto era de ‘Colega de Trabalho’ e não mais de Empregado/Patrão, pois eu exercia a Chefia da Comunicação da Prefeitura de Caraguá na gestão do finado José Bourabeby. Mesmo com a maioria das tratativas acontecendo entre Roberto e o Prefeito, havia sempre tempo para proferir críticas quanto ao meu modo de trabalhar e de me portar como o Jornalista Oficial da Comunicação. Uma das críticas dizia respeito a Buzina Marítima que utilizei na Cerimônia de Posse, a qual achei inovadora e marcante.

Retornei ao convívio diário com Roberto apenas em 1997, após minha saída do Imprensa Livre e fui direto para o Expressão Caiçara, onde fiquei por cinco meses e conheci mais o Roberto Editor/Jornalista. Era um expediente que terminava toda terça-feira, ou melhor, na madrugada de quarta, quando finalizávamos o Expressão para enviá-lo a Gráfica para impressão. Muitas foram as tardes, noites e madrugadas onde depois de toda página diagramada ou até finalizar a diagramação, Roberto mexia e remexia no texto, trocava todo o layout da página, trocava o texto ou o recolocava em outra página, refazendo tudo que levávamos horas para finalizar. Se alguns veem isso como indecisão, mesmo cansativo víamos como uma forma de aprimorar cada vez mais um produto que era o de maior e melhor qualidade no seu ramo.

Ainda sobre este período ouvi de sua boca que o Axé, vindo da Bahia, seria a mais nova sensação da Música Popular Brasileira, anos antes dos melhore e maiores Promotores de Eventos lançarem e solidificarem esta nova sensação musical brasileira nos Festivais de Verão que assolavam Caraguá anualmente.

Após a minha segunda saída do Grupo Espíndola conheci um outro Roberto, o “Concorrente”, pois de Outubro de 1997 até Fevereiro de 2001 eu e outros amigos, entre eles César Jumana e Haroldo Scorzafava, nos associamos e lançamos, respectivamente os jornais “O Noroeste” e “Noroeste News”, somente eu e Jumana. Em poucos meses de trabalho encostamos na liderança do Expressão e ameaçávamos a sua hegemonia, batendo forte no Prefeito da época, Antonio Carlos da Silva e para se manter na liderança isolada, Roberto ligava para os nossos anunciantes alegando que o Prefeito não gostou nada de ter anúncios num ‘Jornal de Oposição’. Resultado, perdíamos dois de cada cinco novos investidores.

De 2001 a 2012, quando ocupei a Comunicação da Câmara Municipal nos afastamos um pouco, mas volte e meia recebia sua visita ou o encontrava no Legislativo, a procura do Presidente ou de algum Vereador. Com a criação do Blog Contra & Verso tivemos uma e outra conversa, tratando de parcerias que acabaram não se concretizando.

Com Roberto editando a Revista da Cidade o nosso relacionamento era de Patrões de si mesmo, cada um com o seu Veículo de Comunicação e convivendo harmoniosamente. Já com o seu estado de Saúde agravado, soube pelo colega Radialista Maurício Poeta Neto que numa conversa informal entre ele, Roberto Espíndola e o colega Carlinhos Paes que fui citado como o “Melhor Texto Político” da atualidade na cidade. Recebo isso com o melhor presente que um Jornalista possa receber do melhor e mais renomado Comunicador que difundiu notícia e suas opiniões em nossa região.

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