Por Marcello Veríssimo *

Com praticamente toda vida dedicada ao ofício da arte e entretenimento, a artista multifacetada Sonia Maria Silva, a Soninha da Casa Ecumênica, é uma das personalidades mais icônicas de São Sebastião ainda em atividade. Nem mesmo o caos deste período pandêmico fez com que essa paulistana pequenina, de 1,60m, mas com um coração imenso perdesse sua fé, alegria e otimismo em dias melhores para a humanidade.

Nesta semana, este colunista visitou Sonia em sua Casa Ecumênica para saber qual a magia, a essência de sua alegria para lidar com os momentos de crise. Entre fantasias, figurinos, adereços e muitos acessórios, Soninha relembra que desde o início até agora muita água passou por debaixo da sua ponte. “Assumi o prédio em 1978 e quis ficar na cidade”, diz ela, que nasceu em São José do Rio Preto e considera ter alma de artista mambembe. “Meu sonho era fazer 18 anos e ir para São Paulo em busca a carreira na televisão.

Soninha acompanhou o lançamento da televisão no Brasil, na chamada época de ouro, de Hebe Camargo, Lolita Rodrigues, Nair Belo, entre outros nomes importantes no cenário artístico brasileiro. “Desde pequena eu quis ser atriz, aos 6 anos já tinha vontade de fugir com o circo, naquela época só existia rádio, ainda não tinha televisão no Brasil”.

Na capital paulista, a doce menina do interior seguiu em busca do seu sonho e conseguiu passagens pela rede Globo, no antigo canal 5, Record, SBT, TV Tupi, entre outras. “Eu comecei como garota propaganda, ainda não existia gravações, era tudo ao vivo, em preto e branco. Até a televisão era mambembe, estava começando”, diz Soninha, que se orgulha de “jogar em todas as áreas”, flertando também com a música gravando CD’s.

Nascimento da Casa Ecumênica – Já com alguma água passando debaixo da ponte da sua vida, Soninha chegou em São Sebastião bastante conhecida e famosa na época logo após a falência da TV Tupi. “Sempre gostei de Comunicação, a rádio que trabalhava em Araçatuba foi lacrada pelo exército durante a Revolução”, relembra sobre uma das passagens mais emocionantes de sua vida.

Quando mudou para São Sebastião, pouco antes de criar a Casa Ecumênica, Sonia Maria diz que diferentes fatores a influenciaram sua mudança de vida. “A Tupi faliu, fui mandada embora, recebi uma indenização e coincidiu que fiquei grávida e resolvi cuidar do meu filho que ia nascer”. “Cheguei pensando em procurar um lugar para empregar meu dinheiro. Aqui [no prédio da Casa Ecumênica] tinha uma placa de aluga-se, mas logo fui negociar com os donos para comprar o prédio”.

Na ocasião, o dono do prédio era Agnaldo Galvão, irmão do então prefeito de São Sebastião, Décio Galvão. “Eles quiserem vender e eu comprei”, ela comemora.

De lá para cá, Sonia enfrentou batalhas judiciais, enchentes, tragédias naturais, a pandemia da Covid-19, sem nunca deixar de ter um sorriso no rosto e alegria de viver. “A parte espiritual está muito presente, eu sou espiritualista, tenho a convicção e comecei a criar os nichos da loja pensando no ecumenismo, pois Deus é para todos!”.

A Casa Ecumênica é justamente isso: fé, respeito e alegria para todos da forma que cada um compreende Deus!

 

* Marcello Veríssimo, 41 anos, é jornalista no Litoral Norte de São Paulo. Formado pela Universidade do Vale do Paraíba, em 2001, passou por praticamente todos os jornais impressos, revistas e portais de notícias da região, incluindo o extinto “Vale Paraibano”, em São José dos Campos.

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