Uma sessão tumultuada, nervosa, tensa e extremamente segura e barulhenta marcou a Eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Caraguatatuba para o Biênio 2019/2020. O que parecia ser uma vitória apertada do candidato da Chapa 1 – Duda Silva transformou-se na vitória tumultuada de Carlinhos da Farmácia, candidato da Chapa 2. Na hora do pleito teve Vereador abandonando a chapa e mudando de voto sem explicação.

A Eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Caraguatatuba para o Biênio 2019/2020 ficará eternamente marcada nos anais do Legislativo local como a mais disputada e que mais teve ingerência externa na escolha dos Vereadores por um colega à Presidência. O que parecia ser uma vitória apertada do candidato Duda Silva mudou nas últimas 24 horas, quando fontes nos relataram que o Vereador Flávio Nishiyama alterou o seu voto, da Chapa 1 para a Chapa 2, liderada por Carlinhos da Farmácia. As informações sobre a mudança de voto são variadas mas não há provas materiais que comprovem a mudança. O Blog Contra & Verso procurou o Vereador via celular e pelas Redes Sociais e até o fechamento deste texto não houve retorno da parte dele.

Para se ter ideia do clima reinante dentro da Casa de Leis, o Vereador Aurimar Mansano trocou de lugar com Flávio Nishiyama na bancada, pois a sua localização era a da ponta da mesa, bem próximo do público nas galerias e havia o risco de atitudes agressivas dos simpatizantes de Duda Silva.

Ao mesmo tempo o Vereador Dennis Guerra, que compunha a Chapa 1 com Duda Silva na função de Vice-Presidente simplesmente enviou mensagem ao Presidente do Legislativo pedindo a sua retirada da chapa. De acordo com o Jurídico da Câmara o Vereador estava impedido de pedir a sua retirada. Perguntado via Redes Sociais o Vereador respondeu: “Por não compactuar com vários escândalos e discussões envolvendo a disputa da mesa a presidência da câmara para 2019, envolvendo boletim de ocorrência, ameaças, Ministério Públicos e outros decido não mais deixar meu nome à disposição, para qualquer candidato e por esse motivo retirei, não estando mais à disposição nesse assunto.”, disse.

A sessão já mostrava que seria tensa antes do seu início oficial. A Câmara só foi liberada para entrada do público às 9h45 e antes disso apenas a Imprensa teve acesso e apenas nas galerias, sendo vetada a entrada no corredor e antessala da Presidência. As galerias foram tomadas por correligionários de Duda Silva e adversários políticos de Tato Aguilar e a medida que iam entrando, palavras de ordem como “Traidor”, “Judas” e “Vendido” eram as mais pronunciadas e endereçadas ao Vereador Flávio Nishiyama.

Devido a rumores de que o clima partiria para as Vias de Fato o Presidente Tato Aguilar convocou a Polícia Militar, que compareceu com duas viaturas e 20 policiais, além de outros 10 policiais a paisana, pertencentes a 2ª Cia. do 20º BPM/I, que permaneceram no setor interno do prédio, próximo a sala da Presidência.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Câmara o voto seria através de cédula nominal apenas para registro e anunciado verbalmente na hora da apuração.

Após a conferência de quórum e conferência dos documentos referentes as duas chapas, o Vereador Celso Pereira pediu a palavra e conclamou o cancelamento da sessão, com base na falta do Vereador Dennis Guerra e o excesso de Policiais Militares, considerado pelo Vereador como um ato de constrangimento. Em seguida os componentes da chapa, Duda Silva, Fernando Cuiú e Vandinho, e três Vereadores que a apoiavam, Celso Pereira, Ceará e Wilma Teixeira se retiraram da sessão.

Como havia quórum o Presidente Tato Aguilar fez a votação e decretou a vitória de Carlinhos da Farmácia com oito votos favoráveis – Butiá, Farmácia, Salete, Tato, Chininha, De Paula, Aurimar e Flávio Nishiyama. O público presente as galerias não se conteve e foram feitas críticas e palavras de ordem contra os Vereadores Tato, Flávio e Dennis.

Decretada a vitória Carlinhos da Farmácia disse que terá muito trabalho a frente do Legislativo e que os seus opositores são “adversários políticos” e não inimigos. Farmácia se elegeu, segundo fontes, ao apoio do Prefeito de Fato, José Pereira de Aguilar, que teria usado de todas formas possíveis para agregar votos ao seu candidato. Farmácia é chamado pela imprensa política de “Vereador Carteirão” e recentemente teve a farmácia onde trabalha interditada pela Vigilância Sanitária pela segunda vez devido a irregularidades.

Ao final chega a informação de que o grupo que abandonou a sessão foi direto ao Ministério Público prestar queixa contra a realização da sessão. Segundo consta há dois erros gritantes com base na eleição. Primeiramente o Vereador Dennis Guerra não poderia pedir para sair da chapa, pois é proibido pelo Regimento Interno da Câmara e segundo que o Presidente Tato Aguilar não poderia ter notificado o candidato Duda Silva com base no afastamento de Guerra. Baseado nisso o grupo de Duda Silva esteve com o Promotor de Justiça de plantão, Renato Queiróz de Lima para formalizar uma denúncia. O integrante do Ministério Público pediu toda documentação necessária para analisar o possível cancelamento da votação.

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