Reza a lenda que qualquer lugar ou momento é propício para se fazer uma promessa, um juramento, uma súplica para viver bem e melhor. Esta é a saga de Tah-Bií-Tatah, uma pobre e reles moradora da aldeia encantada de Kéroehmaís, que aproveitando da virilidade desmedida de Sontehtí, tentou alcançar um lugar mais alto na montanha sagrada que por excesso de ganância, não conseguiu.

Kéroehmaís é uma pequena ilhota, de encantos e recantos paradisíacos, com praias deslumbrantes de uma cor azul deslumbrante, de areias límpidas que chegam a cristalinas, cachoeiras e montanhas, onde não faltavam flores como a Dama da Noite e Sapoti, além de um Vulcão que vez ou outra mostra sua força. A ilhota abençoada está localizada no Atlântico Sul, entre as ilhas de Martin Vaz e Santa Helena do leste para o oeste e de Ascencion e Tristão da Cunha, de sul a norte.

Dentre as várias tribos lá existentes destacam-se a da Mão Grande, da qual pertence Sontehtí e a das Conchas Formosas, da qual Tah-Bií-Tatah faz parte. A Tribo da Mão Grande se destaca pelo fato de ter integrantes dotados de mãos grandes, capazes de segurar a caça e vários peixes usados para alimentar suas famílias. Já a Tribo das Conchas Formosas é conhecida pelas mãos bonitas e delicadas que servem de base para moldar conchas e tigelas usadas nas refeições da sua bem como de outras tribos que vivem na ilhota. Suas mãos eram tão belas e disputadas que chegava a falar com elas, traduzindo o melhor da formosura na composição das tigelas.

Mas nem tudo eram flores na ilha de Kéroehmáis, pois as moças das Conchas Formosas só poderiam acasalar com os homens da Mão Grande se fossem escolhidas por eles e pertencer aos Mão Grande era motivo de honra e garantia de uma vida melhor. Ao mesmo tempo que Sontehtí se dedicava dia após dia a ser um excelente Mão Grande, Tah-Bií queria porque queria pertencer aos Mão Grande, pois a vida miserável e enfadonha como Concha Formosa não fazia parte do seu ideal de vida. Descrita pelos integrantes da tribo como uma garota sem qualquer atrativo, de sorriso sonso, pernas finas, índole suspeita e caráter duvidoso, de ganância e ambição exageradas, o sonho de consumo para sair da obscuridade seria unir-se a um Mão Grande.

Tah-Bií encontrou Sontehtí pela primeira vez num encontro do Conselho de Tribos e num primeiro instante viu nele a chance de ascender e ser aceita entre os Mão Grande. Espadaúdo, forte, conhecido por ser Viril e Sedutor e com uma das maiores mãos entre os integrantes da tribo, ele era visto como o par perfeito entre as moças das outras tribos e principalmente pelos olhares de Tah-Bií, mas havia um problema, o mais interessante dos Mão Grande estava prometido para uma das Sacerdotisas da Tribo Dona, o que não deixava o caminho livre para a enfadonha Concha Formosa, apenas que ela teria mais trabalho para realizar o seu objetivo.

O trabalho de Tah-Bií era o de interpretar as tarefas e os projetos do Conselho para as demais tribos e isso era feito usando as mãos, fazendo Conchas Formosas e perfeitas, seja no formato, na cor e no desenho de algumas ilustrações. Por causa disso Tah-Bií começou a se integrar perante o Conselho, sendo notada por seu trabalho por ser uma enfadonha moça esforçada e obviamente, Sontehtí também começou a nota-la.

O comum seria dizer que em decorrência disso nasceria o Amor. Ledo engano!!! Nascia ali um jogo de interesse da mais alta Sedução, seja pelo Sexo, seja pelo Poder. Poderia haver amor da parte de Tah-Bií???. Sontehtí sentiria o mesmo???. O que se via era muita intensidade e uma falsa veracidade propagada, pois ambos não eram lá muito sinceros.

Os encontros ocorriam nos lugares mais inusitados e nos horários mais improváveis, as carícias mais ousadas e o clima entre os dois tinha a temperatura do Vulcão em dias instável, mas nem tudo eram flores. Enquanto Tah-Bií queria porque queria ser inserida entre os Mão Grande, Sontehtí tratava o assunto como uma aventura, um romance que misturava calor e salmoura, pois ele não esquecia o fato de estar comprometido com a Sacerdotisa da Tribo Dona. Tah-Bií começou a perceber isso e pedia insistentemente para que o seu amado finalizasse o seu compromisso com a Sacerdotisa, o que era sempre prorrogado.

Este clima de incerteza para Tah-Bií e de ilusão e mentira para Sontehtí mudaria totalmente o cenário do casal. Era como se transformar um mar calmo e tranquilo numa tormenta, numa ressaca de ondas altas e fortes. A relação do casal sofre uma drástica reversão, assim como de uma noite estrelada para uma brusca precipitação, com direito a chuva forte, raios e trovões. Tah-Bií já estaria ciente que Sontehtí manteria o seu comprometimento com a Sacerdotisa e sentia-se enganada com a situação, mesmo sabendo que Sontehtí é compromissado e que nunca deveria ter se envolvido com alguém assim, mas o desejo e a esperança de transformar-se de Concha Formosa em esposa de um Mão Grande, de sair das choupanas a beira-mar para viver no alto da Montanha do Vulcão eram maiores do que qualquer atitude honesta e de bom senso.

A última negativa de Sontehtí em terminar o compromisso com a Sacerdotisa enervou profundamente Tah-Bií e num momento de pura raiva e cegueira da razão, começou a espalhar pela ilhota, para as pessoas certas e mais interessantes, que teria sido ultrajada por Sontehtí, que sua honra teria sido manchada e que agora era uma Concha Formosa maculada. A notícia se espalhou e muitos saíram em sua defesa, alguns até exagerando no julgamento sem saber realmente o que a relação entre ambos escondia, sentenciando Sontehtí de forma errônea. O caso repercutiu. Membros do Conselho de Tribos queriam informações. A direção do Conselho ameaçou expulsar Sontehtí da Tribo Mão Grande e a Sacerdotisa estava em vias de exterminar o compromisso.

O que parecia ser uma crise sem precedentes, pois a investigação de ambos apontavam outros momentos como este vividos por eles, terminou abafado, sem uma decisão, apenas mantendo Sontehtí como um Mão Grande e Tah-Bií, além de ser uma alpinista ilhéu, como uma miserável Concha Formosa, ou seja, mais um caso de Sexo, Poder e Sedução nas areias da Ilhota Kerohémais. Não foi o primeiro e nem será o último a ocorrer, assim como as ondas do mar.

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