*Stefan Massinger

 

Depois das belíssimas explicações da nova tendência dos Rosés, o jornal Wein.Plus entre no mérito de mergulhar mais profundo sobre este assunto. Então vamos explorar aqui também se realmente é uma moda, ou se não existia algo como tradição e dedicação de longa data nos vinhos Rosés. Começamos então no país dos Rosés, no berço. As áreas de cultivo de vinhos rosés mais famosas são, sem dúvida, no sul da França. Acima de tudo, os 20.000 hectares da denominação Côtes de Provence, como o maior produtor de Rosé do mundo, definem claramente o tom. Para muitos, os vinhos aqui produzidos representam o tipo ideal de rosé com o qual todos os outros vinhos rosés devem ser medidos. Mais de 90 por cento da denominação é dedicada à produção de rosés.

Entre os rosés mais caros do mundo estão o Clos du Temple do enólogo Gérard Bertrand de Narbonne no Languedoc por cerca de 200 euros / 1200 reais, o Étoile do Domaines Ott por cerca de 130 euros / 780 reais ou o Garrus do Château d’Esclans, também da Provence, que custa cerca de 100 euros / 600 reais. Os vinhos do Miraval também estão em alta, cujo top rosé Muse de Miraval custa agora mais de 250 euros / 1500 reais por garrafa.

Miraval? – sim aquele chateâu, que está na briga dos fundadores pelo divórcio – senhora Angelina Jolie e senhor Brad Pitt.

Mas a denominação Tavel, no sul do Ródano, também é conhecida por seus rosés de alta qualidade. Há apenas algumas semanas foi anunciado que o renomado francês Domaine E. Guigal (Côte-Rôtie) assumiu o Château d’Aqueria na região de Tavel com 68 hectares de vinhas. Segundo o Diretor Geral Philippe Guigal, o AOC Tavel é a excelência do rosé. Ele planeja reposicionar toda a denominação Tavel e comunicá-la de forma diferente para dar a proeminência que merece.

Para aumentar o valor dos vinhos rosés internacionalmente, a “Association Internationale des Rosés de Terroirs” (AIRT) foi fundada em Tavel em março de 2021. O objetivo da associação é facilitar o acesso de comerciantes e amantes do vinho a vinhos rosés de alta qualidade e organizar degustações no país e no exterior.

Para alcançar seus colegas franceses, muitos viticultores italianos seguiram o exemplo e agora confiam cada vez mais no rosé. Poucas denominações têm tanta tradição na Itália – uma delas é a região de Bardolino, no Lago de Garda, entre Verona e Milão. O rosé sempre foi produzido aqui além do vinho tinto, mas desde a “Revolução do Rosé” iniciada pelo consórcio em 2014, o Chiaretto di Bardolino vem ganhando importância. Atualmente, é responsável por 42% da produção total. Angelo Peretti, diretor do Consórcio de Proteção Chiaretto e Bardolino, prevê um aumento na produção de Chiaretto para 60%, o equivalente a cerca de 15 milhões de garrafas. O sucesso prova que os enólogos estão certos, só nos primeiros dois meses de 2022 as vendas aumentaram 26,7 por cento em relação ao ano anterior.

Destaque também para o desenvolvimento do Prosecco Rosé, lançado em 2020. Das 627,5 milhões de garrafas de Prosecco DOC produzidas, 71,5 milhões de garrafas já estavam cheias de Prosecco Rosé em 2021. A demanda por este novo versão do Prosecco excede em muito o que está em oferta.

Não importa se Piemonte, Toscana ou Sicília, mesmo os viticultores das regiões clássicas de cultivo de vinhos tintos cheios de personalidade agora têm rosés feitos de Nebbiolo, Sangiovese e Nerello Mascalese porque querem manter o dedo no pulso dos tempos.

Então, muita coisa está acontecendo em termos de qualidade rosé. A consciência dos principais enólogos está mudando, as demandas estão aumentando. Os viticultores hoje cuidam muito mais da vinificação, brincam com o envelhecimento em barrica e com os tempos de maceração para extrair um pouco mais de cor e estrutura. Porque a procura de vinhos rosés de alta qualidade, que também podem ser bons acompanhamentos para refeições, continua a aumentar.

Uma vinicultora de vinhos rosé convicta é a austríaca Pia Strehn de Burgenland, região entre Viena e a fronteira com Hungria. Segundo Strehn, é tão difícil fazer um excelente rosé quanto um bom vinho tinto ou branco. Um bom rosé deve ser único e expressivo. Como enólogo, você deve encontrar os melhores terroirs e as variedades de uvas adequadas.

Cada vez mais viticultores em todo o mundo estão optando pelo rosé: isso vai mudar muito nos próximos anos. Porque o número de vinhos característicos de uma ampla variedade de denominações está em constante crescimento. O rosé, antes oferecido a baixo custo apenas como um vinho pouco exigente, tem um novo futuro.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo Master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão de pessoas e vendas. Também já trabalhou com venda de vinhos e atua também como consultor independente de negócios.

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